Economista avalia o impacto no conflito no Oriente Médio no preço das commodities, como o petróleo, e a dependência que o Brasil tem do diesel

O preço médio do diesel-S10 comum subiu quase 20% no Brasil desde 1º de março, um dia após o início do conflito no Oriente Médio, quando os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã.

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a alta foi de 19,71% no Brasil, em média, com regiões sofrendo impacto ainda maior; é o caso da região Centro-Oeste, com alta de 26,4%, seguida pelo Nordeste, com crescimento de 21,44%.  

Além de uma dose de especulação, a pressão sobre os preços dos combustíveis está diretamente ligada ao cenário externo, que tem elevado o preço do barril de petróleo, impactando toda a cadeia, desde a importação até a distribuição.

Em relação ao diesel, é preciso considerar que o Brasil importa de 20% a 25% para suprir o déficit entre a produção interna e a demanda. O restante, que é a maior parte, é coberta pela produção da Petrobras.

“O Brasil é autossuficiente na produção de petróleo para suprir a sua demanda. Entretanto, devido às opções tecnológicas e ao parque de refino não ser um parque moderno, porque foi construído e planejado nos anos 60 e que está em uso até hoje, esse parque não consegue craquear mais de 80% desse petróleo, o que não dá uma autossuficiência para a produção de diesel”, explica Cicero Pimenteira, economista e professor de Relações Internacionais, em entrevista ao iG.

Ele ressalta que o Brasil produz de 140 a 150 bilhões de litros de diesel por ano, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), entretanto, o consumo é de aproximadamente 180 bilhões de litros. 

Ou seja, essa diferença de 30 bilhões de litros vem das importações do combustível de países como os Estados Unidos, a Índia, os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e a Rússia.

“A Rússia tem um bloqueio, devido à guerra da Ucrânia, e hoje a gente ainda enfrenta um conflito na região do Golfo, onde o Estreio de Ormuz está com restrições ao trânsito de navios. Isso justifica o aumento do custo do barril de petróleo”, acrescenta, se referindo ao canal marítimo estratégico, o maior “gargalo” energético do mundo, por onde passa cerca de 20% a 30% do petróleo e grande parte do gás natural do planeta. 

O estreito está fechado para os Estados Unidos e seus aliados.

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