Apostas pesam mais sobre as famílias de menor renda; apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025
Enquanto o Governo Federal se prepara para anunciar nesta sexta-feira (25) medidas que podem restringir ou até proibir as apostas online no país, os brasileiros transferiram R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025, segundo estimativa do Centro Celso Furtado. O valor, que corresponde à diferença entre o que foi apostado e o que retornou aos jogadores, abre uma pergunta: para onde foi o dinheiro que deixou o orçamento das famílias?
Segundo o economista Cícero Pimenteira, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), uma parcela significativa desse dinheiro é direcionada aos proprietários e acionistas das plataformas de apostas. Ele afirma que muitas empresas não têm sede no Brasil, o que dificulta a fiscalização e a tributação e reduz o retorno desses recursos para a economia brasileiras.
“É muito difícil você conseguir taxar bets, se considerar que esse dinheiro está espalhado em moeda do mundo inteiro. Muitas dessas empresas não estão sediadas no Brasil, estão sediadas em paraísos fiscais, em locais onde o sistema de fiscalização é frágil. Converte-se, então, em uma reserva de divisas para outros países”, aponta.

Dinheiro que deixa de circular e o impacto no PIB
O economista avalia que o principal impacto não está apenas no destino final dos R$ 62,5 bilhões perdido no ano, mas também no que deixa de ser feito com os recursos direcionados às apostas. Segundo ele, se o dinheiro permanecesse no orçamento das famílias, poderia ser utilizado em consumo, poupança ou investimentos.
“Se ele fosse utilizado para o fim que ele foi criado, quer dizer, consumo, varejo, bem-estar, compras de remédios, compras de supermercado, compras de bens e serviços, poupança, investimento, ele estaria fazendo um ciclo econômico muito mais valoroso”, pondera.
O estudo do Centro Celso Furtado estima que as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025, em razão da redução do consumo. O impacto corresponde a aproximadamente 0,9% a 1,1% do PIB.
Para Pimenteira, o efeito sobre a economia é especialmente preocupante porque envolve recursos que poderiam permanecer circulando no mercado interno. “A bet não produz nada, ela só produz endividados e o volume de dinheiro que está saindo tem impacto no PIB”, reforça.
Impacto sobre as contas públicas
Além do efeito sobre o consumo e a atividade econômica, o estudo estima que a redução do PIB provocada pelas apostas pode ter impacto sobre a arrecadação. Pimenteira completa que a perda de arrecadação se soma à redução da renda disponível das famílias e ao aumento da desigualdade.
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Professor Associado D-3 da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Líder do Grupo de Pesquisa do CNPq Núcleo de Estudos Economia Regional, Território, Agricultura e Meio Ambiente do Paraíba do Sul – NEERTAM / UFRRJ. Professor desde de 2022 Programa de Pós-graduação stricto sensu, Ciência, Tecnologia e Inovação em Agropecuária (PPGCTIA) no Brasil (UFRRJ) . Está lotado no Departamento de de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade – Instituto de Ciências Humanas e Sociais (DDAS – ICHS / UFRRJ). Atuou como Chefe de Departamento do Departamento de Ciências Econômicas Exatas do ITR no período de setembro de 2011 a maio de 2014. Em 2015 participou de Curso de Formação e Treinamento sobre System of Envaironmental-Economic Accounting (SEEA) promovido pelas Nações Unidas , CEPAL GIZ . O curso capacitou o professor na metodologia de Sistema de Contas Ambientais. Leciona as disciplinas de Economia do Meio Ambiente e Economia do Setor Público. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000), mestrado em Programa de Planejamento Energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e doutorado em Planejamento Energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010). Durante dez anos realizou pesquisas na Coordenação dos Programas de Pós Graduação em Engenharia (COPPE-UFRJ). Atualmente realiza pesquisa na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Economia do Meio Ambiente, com ênfase em Economia dos Recursos Naturais, Economia Regional e Urbana e Avalição e Valoração Econômica de Projetos, atuando principalmente nos seguintes temas: Políticas Públicas, Saneamento, Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Conservação de Energia.” Web of Science ResearcherID K-4698-2014